Colheita Armazenamento de Abacate

Armazenamento

A colheita da maioria das frutas se dá num espaço de tempo relativamente curto, isso faz com que haja necessidade de conservá-los além da época de produção, o que proporciona benefícios tanto para o produtor, que obtém melhores preços, quanto para o consumidor que pode dispor das frutas em épocas em que não é possível produzí-las.
            Dentre os diversos métodos de conservação de frutas e hortaliças, somente será abordado o método de conservação pela utilização do frio ou frigoconservação ou armazenamento refrigerado, embora existam outros também importantes.
            A frigoconservação é o método mais utilizado para conservação de frutas, que podem ser destinadas tanto ao consumo “in natura” quanto para a industrialização, daí sua grande importância.


Tipos de armazenamentos refrigerados


            a) Atmosfera Normal (AN)
            A atmosfera normal é o sistema mais utilizado para prolongamento do período de armazenamento da maioria das frutas, principalmente as de clima temperado. 
            Baseia-se na combinação de baixas temperaturas, geralmente de -1 a 4°C, com alta umidade relativa do ar (UR), geralmente superior a 85%.
            A temperatura baixa reduz a velocidade do metabolismo respiratório, sendo que o valor mínimo tolerado é variável com a espécie e cultivar. Por outro lado, frutas com atividade respiratória alta, como as frutas de clima tropical, não se adaptam ao armazenamento com temperatura muito baixa.
            A utilização de UR alta no armazenamento dificulta a desidratação das frutas, porém demasiadamente alta, favorece a proliferação de microrganismos patogênicos.


            b) Atmosfera Modificada (AM)
            A atmosfera modificada é um método de conservação que visa modificar a concentração de gases ao redor e no interior da fruta, associada ou não à utilização de baixas temperaturas, porém sem um controle preciso dos teores gasosos.
            A alteração da atmosfera pode ser conseguida colocando-se as frutas em embalagens de polietileno ou PVC, aplicando-se ceras, ésteres de sacarose, Na-carboximetilcelulose, ácidos graxos não saturados de cadeia curta, entre outros.
            Alguns materiais plásticos são pouco permeáveis ao vapor d’água, o que provoca aumento excessivo da umidade relativa (³ 95%), favorecendo a ocorrência de fungos. Para evitar este problema, pode-se fazer pequenas perfurações nos plásticos, que impedem, também, o acúmulo excessivo de CO2.
            As ceras não alteram a transpiração, mas reduzem as trocas de O2 e CO2 com a atmosfera e podem induzir a produção de alcoóis, aldeídos e outros compostos indesejáveis.


                c) Atmosfera Controlada (AC)
            O armazenamento em atmosfera controlada é uma técnica que vem sendo utilizada com bastante sucesso em algumas frutíferas, principalmente em maçãs. Baseia-se na manutenção das frutas em uma câmara fria com uma proporção definida de O2 e CO2, aliada à baixa temperatura.
            O ar atmosférico é composto por, aproximadamente, 78% de N2, 21% de O2 e 0,03 de CO2. Com a utilização de câmaras frias hermeticamente fechadas, se pode alterar os teores de O2 e CO2 para 1 a 3% e 1 a 5%, respectivamente. Com isso, se reduz o processo respiratório da fruta, reduzindo, consequentemente, os processos de degradação.
            O O2, na atmosfera e no interior da fruta, atua no seu metabolismo, porém concentrações muito baixas fazem com que ocorra a respiração anaeróbia e a produção de etanol, acetaldeído e outros compostos que prejudicam as qualidades organolépticas das frutas. Com relação ao CO2, concentrações altas (acima de 5%) provocam alterações estruturais, como desintegração das membranas e do citoplasma.
            Os níveis de O2 e CO2 a serem utilizados são bastante variáveis com a espécie e com a cultivar utilizadas, sendo que se controle é feito por computadores que analisam a composição do ar no interior da câmara, fazendo automaticamente a correção. A proporção adequada do ar atmosférico no interior da câmara pode ser conseguido pela eliminação de O2 e aumento de CO2, através da respiração natural das frutas. Caso os níveis de CO2 ultrapassem os limites máximos, passa-se o ar por soluções de Ca(OH)2, NaOH ou H2O, que absorvem o gás. Caso os níveis de O2 diminuam muito, a recomposição é feita através da injeção de ar no interior da câmara. Para retirar o excesso de etileno, passa-se a atmosfera da câmara numa solução de permanganato de potássio (KMnO4).
            Outras maneiras mais rápidas de rebaixar a concentração de O2 e aumentar a de CO2 são a combustão do gás propano ou através da purga da câmara com nitrogênio.
            Os grandes inconvenientes deste sistema são a exigência de câmaras frias praticamente herméticas, equipamentos complexos e mão-de-obra especializada o que aumentam os custos de utilização.


Condições de armazenamento
            A manutenção da qualidade das frutas durante um período mais prolongado depende de uma interação entre as condições envolvidas no armazenamento. 
            As principais condições que influenciam na qualidade das frutas são a temperatura, a umidade relativa e o período de armazenamento. Tais condições são bastante variáveis com as espécies e também com as cultivares. Assim sendo, na Tabela 35 são apresentadas as condições de armazenamento que possibilitam a manutenção da qualidade para algumas espécies frutíferas.

Tabela 35 - Condições de armazenamento para algumas espécies frutíferas

 

ESPÉCIE

TEMPERATURA
(°C)

U.R.
(%)

TEMPO DE 
ARMAZENAGEM

Abacate

> 7

85-90

<30 dias

Abacaxi

10

85-90

15 a 30 dias

Acerola

0

85-90

50 dias

Ameixa

0

85-90

<21 dias

Banana

14

85-90

15 a 30 dias

Caqui

5

>90

90 dias

Figo maduro

0

85-90

10 dias

Goiaba

> 7 

85-90

21 dias

Laranja

> 2 

85-90

50 a 80 dias

Limão Taiti

5 a 7 

>90

60 a 90 dias

Maçã

>90

90 a 300 dias

Mamão

12 

85-90

21 dias

Manga

13 

85-90

15 a 25 dias

Maracujá

12 

85-90

14 a 21 dias

Morango

85-90

5 a 10 dias

Pêra

-1 a 0 

>90

conforme cultivar

Pêssego

-0,5 a 0

>90

15 a 30 dias

Tangerina

5 a 7 

85-90

90 dias

Uva

>90

conforme cultivar

 

 

 

Fonte: EMBRAPA